{"id":8137,"date":"2022-10-31T09:30:00","date_gmt":"2022-10-31T09:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/?p=8137"},"modified":"2023-06-27T17:44:27","modified_gmt":"2023-06-27T16:44:27","slug":"imparidades-em-clientes-e-a-prevalencia-da-realidade-economica-e-financeira-na-contabilidade-e-nao-da-fiscalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/imparidades-em-clientes-e-a-prevalencia-da-realidade-economica-e-financeira-na-contabilidade-e-nao-da-fiscalidade\/","title":{"rendered":"Imparidades em clientes e a preval\u00eancia da realidade econ\u00f3mica e financeira na contabilidade e n\u00e3o da fiscalidade"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header has-dark-background-color entry-header--has-illustration entry-header--has-illustration--generic\">\n\t<div class=\"container\">\n\t\t<div class=\"entry-header__row row align-center\">\n\t\t\t<div class=\"col col-lg-7 col-xlg-6 entry-header__content\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"component component-single-header\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"entry-header__misc text--subtitle text--uppercase text--small\">\n\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/category\/estrategia-legal-e-processos\/\" class=\"entry-header__link\">Estrat\u00e9gia, Legal e Processos<\/a>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t<div class=\"entry-title-wrapper\">\n\t\t\t\t\t<h1 class=\"entry-title\">\n\t\t\t\t\t\tImparidades em clientes e a preval\u00eancia da realidade econ\u00f3mica e financeira na contabilidade e n\u00e3o da fiscalidade\t\t\t\t\t<\/h1>\n\t\t\t\t<\/div>\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"entry-header__description\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\t<div class=\"single-post-details container\">\n\t\t<div class=\"col\">\n\t\t\t<span class=\"posted-on \"><time class=\"entry-date published\" datetime=\"2022-10-31T09:30:00+00:00\">Outubro 31, 2022<\/time><\/span><span class=\"reading-time\"> minutos de leitura<\/span>\n\t\t<button\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\tclass=\"social-share-button button button--icon button--secondary js-social-share-button\"\n\t\t\tdata-share-title=\"Imparidades em clientes e a preval\u00eancia da realidade econ\u00f3mica e financeira na contabilidade e n\u00e3o da fiscalidade\"\n\t\t\tdata-share-url=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/imparidades-em-clientes-e-a-prevalencia-da-realidade-economica-e-financeira-na-contabilidade-e-nao-da-fiscalidade\/\"\n\t\t\tdata-share-text=\"Por favor, leia este artigo interessante\"\n\t\t>\n\t\t\t<span class=\"social-share-button__share-label\">Partilhar<\/span>\n\t\t\t<span class=\"social-share-button__copy-label\" hidden>Copiar link<\/span>\n\t\t\t<span class=\"social-share-button__copy-tooltip\" aria-hidden=\"true\" hidden>Copiada<\/span>\n\t\t<\/button>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n<\/header>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-author has-dark-background-color alignfull\">\n\t<div class=\"container\">\n\t\t<div class=\"col\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"co-authors\">\n\t\t\t\t\t\n\t\t<div class=\"entry-author-wrapper\">\n\t\t\t<a class=\"entry-author\" href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/author\/josearaujo\/\">\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"40\" height=\"40\" src=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2025\/10\/Foto-JA-350x350.jpg\" class=\"entry-author__image\" alt=\"Sage\" srcset=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2025\/10\/Foto-JA-350x350.jpg 350w, https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2025\/10\/Foto-JA-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2025\/10\/Foto-JA-810x810.jpg 810w, https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2025\/10\/Foto-JA.jpg 1093w\" sizes=\"auto, (max-width: 40px) 100vw, 40px\" \/>\t\t\t\t<span class=\"entry-author__name\">Jos\u00e9 Ara\u00fajo<\/span>\n\t\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"\">O risco associado ao recebimento de clientes, por concess\u00e3o de cr\u00e9dito comercial, tem sido um foco&nbsp;<strong>pr\u00e1ticas contabil\u00edsticas menos prudentes<\/strong>, a necessitarem de outras formas de gest\u00e3o e acompanhamento bem como de fiabilidade e representa\u00e7\u00e3o fidedigna na apresenta\u00e7\u00e3o das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A&nbsp;<strong>gest\u00e3o pelo risco \u00e9 um paradigma que tem crescido ao longo dos anos<\/strong>, com especial relev\u00e2ncia em tempos de crise, atentas as suas consequ\u00eancias, quer para empresas, quer para outras entidades sem finalidades lucrativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ao conceder cr\u00e9dito nas suas opera\u00e7\u00f5es comerciais, as empresas assumem riscos relacionados com a probabilidade de n\u00e3o recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma forma de mitigar tais riscos, usada frequentemente, por certas entidades, tem passado pela&nbsp;<strong>contrata\u00e7\u00e3o de seguros de cr\u00e9dito<\/strong>, e outros mecanismos para transferir o risco para entidades especializadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Contudo, nas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/dicion%C3%A1rio-termos-empresariais\/entidades\/\">micro e pequenas entidades<\/a>, a esmagadora maioria das empresas em Portugal, a tend\u00eancia corrente \u00e9 a de assumirem o risco, implementando, em alternativa,&nbsp;<strong>mecanismos de mitiga\u00e7\u00e3o como limites de cr\u00e9dito<\/strong>, formas de financiamento, sem transfer\u00eancia de risco como&nbsp;<strong>o&nbsp;<em>factoring<\/em><\/strong>, ou simplesmente aguardar que os clientes cumpram os seus compromissos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A contabilidade deve, atrav\u00e9s das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/assercoes-da-contabilidade-os-procedimentos-necessarios-para-o-encerramento-contabilistico-anual\/\">demonstra\u00e7\u00f5es financeiras<\/a>, \u201cproporcionar informa\u00e7\u00e3o acerca da posi\u00e7\u00e3o financeira, do desempenho e das altera\u00e7\u00f5es na posi\u00e7\u00e3o financeira de uma entidade que seja \u00fatil a um vasto leque de utentes na tomada de decis\u00f5es econ\u00f3micas<sup><a href=\"#1\">[1]<\/a><\/sup>\u201c, com vista, nomeadamente a \u201cuma avalia\u00e7\u00e3o da capacidade da entidade para gerar caixa e equivalentes de caixa e da tempestividade e certeza da sua gera\u00e7\u00e3o\u201d avaliando, \u201cpor exemplo, a capacidade de uma entidade pagar aos seus empregados e fornecedores, satisfazer pagamentos de juros, reembolsar empr\u00e9stimos e fazer distribui\u00e7\u00f5es aos seus propriet\u00e1rios<sup><a href=\"#2\">[2]<\/a><\/sup>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No caso dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/dicion%C3%A1rio-termos-empresariais\/o-que-e-um-ativo\/\">ativos<\/a>, \u201cos benef\u00edcios econ\u00f3micos futuros incorporados num ativo s\u00e3o o potencial de contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa e equivalentes de caixa para a entidade<sup><a href=\"#3\">[3]<\/a><\/sup>\u201d, sendo que \u201cos gastos s\u00e3o reconhecidos na demonstra\u00e7\u00e3o dos resultados quando tenha surgido uma diminui\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios econ\u00f3micos futuros relacionados com uma diminui\u00e7\u00e3o num ativo ou com um aumento de um passivo e que possam ser mensurados com fiabilidade<sup><a href=\"#4\">[4]<\/a><\/sup>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O caso das d\u00edvidas de clientes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">S\u00e3o considerados\u00a0<strong>ativos financeiros<\/strong>, entre outros, \u201cqualquer ativo que seja, um direito contratual, de receber dinheiro ou outro ativo financeiro de outra entidade<sup><a href=\"#5\">[5]<\/a><\/sup>\u201d, onde se incluem as d\u00edvidas a receber de clientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Na sua\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/a-mensuracao-dos-ativos-no-relato-financeiro-para-2021\/\">mensura\u00e7\u00e3o<\/a>, \u201cquando um ativo financeiro \u00e9 inicialmente reconhecido, uma entidade deve mensur\u00e1-lo pelo seu justo valor<sup><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftn6\">[<\/a><a href=\"#6\">6]<\/a><\/sup>\u201d, que \u00e9 \u201ca quantia pela qual um ativo pode ser trocado ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras e dispostas a isso, numa transa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o exista relacionamento entre elas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ap\u00f3s o seu reconhecimento inicial, s\u00e3o \u201cexemplos de instrumentos financeiros que s\u00e3o mensurados ao custo amortizado: Clientes e outras contas a receber ou a pagar, bem como empr\u00e9stimos banc\u00e1rios, uma vez que satisfa\u00e7am tipicamente as condi\u00e7\u00f5es previstas no par\u00e1grafo 12<sup><a href=\"#7\">[7]<\/a><\/sup>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No caso das micro entidades, \u201c<strong>uma entidade deve mensurar os seus ativos e passivos financeiros ao custo<\/strong>, entendido como a quantia nominal dos direitos e obriga\u00e7\u00f5es contratuais envolvidos. Ativos financeiros relativos a contas a receber e a participa\u00e7\u00f5es de capital s\u00e3o mensurados ao custo de aquisi\u00e7\u00e3o, sujeito a ajustamentos subsequentes derivados de eventuais imparidades<sup><a href=\"#8\">[8]<\/a><\/sup>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Imparidades em contas a receber<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">No caso das mico entidades, \u201cpara determinar se um ativo financeiro est\u00e1 ou n\u00e3o com imparidade, uma entidade deve rever a sua quantia escriturada, bem como determinar a sua quantia recuper\u00e1vel e reconhecer (ou reverter o reconhecimento de) uma perda por imparidade, designadamente em contas a receber (por exemplo, clientes)<sup><a href=\"#9\">[9]<\/a><\/sup>\u201d, sendo que \u201ca evid\u00eancia objetiva de que um ativo financeiro pode estar em imparidade \u00e9 usualmente mostrada, por exemplo, pelas dificuldades financeiras ou quebra contratual do devedor ou do emitente, ou por cota\u00e7\u00e3o oficial inferior ao custo de aquisi\u00e7\u00e3o<sup><a href=\"#10\">[10]<\/a><\/sup>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">N\u00e3o existe, assim, qualquer limita\u00e7\u00e3o temporal ou condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a necessidade do reconhecimento da imparidade em contas a receber de clientes. Contudo, e muito importante \u00e9 assegurar que&nbsp;<strong>os ativos n\u00e3o se encontram mensurados por uma quantia superior \u00e0 quantia recuper\u00e1vel.&nbsp;<\/strong>N\u00e3o o fazer \u00e9 defraudar as contas e assim os utentes da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isso significa o uso de informa\u00e7\u00e3o, como por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Hist\u00f3rico da rela\u00e7\u00e3o com o cliente;<\/li>\n\n\n\n<li>Incumprimento sistem\u00e1tico nos prazos de pagamento acordados;<\/li>\n\n\n\n<li>Renegocia\u00e7\u00e3o, com prazos mais alargados, das condi\u00e7\u00f5es de pagamento, sem pagamento parcial;<\/li>\n\n\n\n<li>Quebra significativa de vendas;<\/li>\n\n\n\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o de incumprimento de outras d\u00edvidas comerciais, de impostos ou contribui\u00e7\u00f5es, ao pessoal (sal\u00e1rios em atraso), ou de financiamentos com institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito;<\/li>\n\n\n\n<li>Tipologia de clientes do devedor, com base na an\u00e1lise de risco sist\u00e9mico;<\/li>\n\n\n\n<li>Inten\u00e7\u00e3o anunciada do devedor em entrar num processo de fal\u00eancia, insolv\u00eancia ou simples abandono da atividade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">Com base em informa\u00e7\u00e3o adequada, os ativos representados por d\u00edvidas a receber de clientes, devem ser reduzidos para a quantia recuper\u00e1vel, se esta for inferior \u00e0 quantia registada \u00e0 data Balan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m utilizada para determinar indicadores financeiros e econ\u00f3micos como o prazo m\u00e9dio de recebimentos, a liquidez geral e reduzida, o fundo de maneio, mas tamb\u00e9m afeta o EBITDA, e assim o resultado do per\u00edodo, tal como os r\u00e1cios de capital como a Autonomia Financeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As imparidades em IRC<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma vez que o CIRC remete para o uso da contabilidade, em regra, a base de determina\u00e7\u00e3o do lucro tribut\u00e1vel<sup><a href=\"#11\">[11]<\/a>,<\/sup>\u00a0\u00e9 importante que se tenha em considera\u00e7\u00e3o que uma das condi\u00e7\u00f5es a respeitar \u00e9 que \u201ca contabilidade deve estar organizada de acordo com a normaliza\u00e7\u00e3o contabil\u00edstica e outras disposi\u00e7\u00f5es legais em vigor para o respetivo sector de atividade, sem preju\u00edzo da observ\u00e2ncia das disposi\u00e7\u00f5es previstas neste C\u00f3digo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para efeitos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/dicion%C3%A1rio-termos-empresariais\/o-que-e-o-irc\/\">IRC<\/a>, \u201c<strong>podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas por imparidade<\/strong>, quando contabilizadas no mesmo per\u00edodo de tributa\u00e7\u00e3o ou em per\u00edodos de tributa\u00e7\u00e3o anteriores, as relacionadas com cr\u00e9ditos resultantes da atividade normal, incluindo os juros pelo atraso no cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o, que, no fim do per\u00edodo de tributa\u00e7\u00e3o, possam ser considerados de cobran\u00e7a duvidosa e sejam evidenciados como tal na contabilidade<sup><a href=\"#12\">[12]<\/a><\/sup>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Assim,&nbsp;<strong>para as imparidades serem consideradas custo em IRC, os cr\u00e9ditos devem<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">1. Estar relacionados com a&nbsp;<strong>atividade normal<\/strong>&nbsp;\u2013 \u00e9 preciso ter em considera\u00e7\u00e3o que se considera atividade normal, nomeadamente a do seu objeto social;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">2. Serem considerados de&nbsp;<strong>cobran\u00e7a duvidosa<\/strong>&nbsp;\u2013 nas condi\u00e7\u00f5es a seguir indicadas &#8211; e estarem evidenciados como tal na contabilidade \u2013 o que obriga a um registo contabil\u00edstico em conta espec\u00edfica de clientes de cobran\u00e7a duvidosa; e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">3. Estarem&nbsp;<strong>contabilizadas no per\u00edodo de tributa\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;em que foram considerados de cobran\u00e7a duvidosa, ou em per\u00edodos anteriores \u2013 aceita-se a dedu\u00e7\u00e3o fiscal das imparidades que excederam os limites em anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quanto \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u201ccobran\u00e7a duvidosa\u201d, consideram-se \u201caqueles em que o risco de incobrabilidade esteja devidamente justificado, o que se verifica nos seguintes casos<sup><a href=\"#13\">[13]<\/a><\/sup>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>1. O devedor tenha pendente processo de execu\u00e7\u00e3o, processo de insolv\u00eancia, processo especial de revitaliza\u00e7\u00e3o ou procedimento de recupera\u00e7\u00e3o de empresas por via extrajudicial<\/strong>&nbsp;ao abrigo do Sistema de Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas por Via Extrajudicial (SIREVE), aprovado pelo Decreto-Lei n.\u00ba 178\/2012, de 3 de agosto;<br><strong>2.<\/strong> <strong>Os cr\u00e9ditos tenham sido reclamados judicialmente ou em tribunal arbitral<\/strong>; ou<br><strong>3. <\/strong>Os cr\u00e9ditos estejam&nbsp;<strong>em mora h\u00e1 mais de seis meses desde a data do respetivo vencimento e existam provas objetivas de imparidade e de terem sido efetuadas dilig\u00eancias para o seu recebimento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Nunca ser\u00e3o considerados de cobran\u00e7a duvidosa<\/strong>, para efeitos de IRC, os seguintes cr\u00e9ditos<sup><a href=\"#14\">[14]<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">a) Sobre o Estado, regi\u00f5es aut\u00f3nomas e autarquias locais ou aqueles em que estas entidades tenham prestado aval;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">b) Cobertos por seguro, com exce\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia correspondente \u00e0 percentagem de descoberto obrigat\u00f3rio, ou por qualquer esp\u00e9cie de garantia real;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">c) Sobre pessoas singulares ou coletivas que detenham, direta ou indiretamente, nos termos do n.\u00ba 6 do artigo 69.\u00ba, mais de 10 % do capital da empresa ou sobre membros dos seus \u00f3rg\u00e3os sociais, salvo nos casos previstos nas al\u00edneas a) e b) do n.\u00ba 1;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">d) Sobre empresas participadas, direta ou indiretamente, nos termos do n.\u00ba 6 do artigo 69.\u00ba, em mais de 10 % do capital, salvo nos casos previstos nas al\u00edneas a) e b) do n.\u00ba 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">e) Entre empresas detidas, direta ou indiretamente, nos termos do n.\u00ba 6 do artigo 69.\u00ba, em mais de 10 % do capital pela mesma pessoa singular ou coletiva, salvo nos casos previstos nas al\u00edneas a) e b) do n.\u00ba 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>No caso da mora<\/strong>, a situa\u00e7\u00e3o mais recorrente, o vencimento conta-se a partir da data do vencimento da fatura, e n\u00e3o da sua emiss\u00e3o, e h\u00e1 que obter evid\u00eancia das dilig\u00eancias efetuadas como o envio de cartas, e-mails, mas tamb\u00e9m eventuais registos de tentativa de cobran\u00e7a telef\u00f3nica, aqui com prova testemunhal de quem executa o processo de cobran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A situa\u00e7\u00e3o que tem originado maior distor\u00e7\u00e3o na contabilidade, tem a ver com a exig\u00eancia de registo contabil\u00edstico, para efeitos fiscais, com base nos prazos a considerar na mora, que s\u00e3o definidos em intervalos de 6 meses e com percentagens progressivas para considera\u00e7\u00e3o da respetiva imparidade, ou seja, \u201co montante anual acumulado da perda por imparidade de cr\u00e9ditos em mora n\u00e3o pode ser superior \u00e0s seguintes percentagens dos cr\u00e9ditos em mora<sup><a href=\"#15\">[15]<\/a><\/sup>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">1. 25 % para cr\u00e9ditos em mora h\u00e1 mais de 6 meses e at\u00e9 12 meses;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">2. 50 % para cr\u00e9ditos em mora h\u00e1 mais de 12 meses e at\u00e9 18 meses;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">3. 75 % para cr\u00e9ditos em mora h\u00e1 mais de 18 meses e at\u00e9 24 meses;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">4. 100 % para cr\u00e9ditos em mora h\u00e1 mais de 24 meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Estes prazos devem ser usados apenas para determina\u00e7\u00e3o do limite m\u00e1ximo fiscal para este tipo de imparidade<\/strong>, n\u00e3o se devido exigir que a contabilidade registe as imparidades com base nestes prazos. A especializa\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios n\u00e3o se aplica este tipo de c\u00e1lculos, que servem apenas para a determina\u00e7\u00e3o do limite m\u00e1ximo anual de aceita\u00e7\u00e3o fiscal, destes custos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As quantias de imparidade registadas na contabilidade que excedam tal limite e que sejam adicionadas ao resultado contabil\u00edstico, para determina\u00e7\u00e3o do resultado tribut\u00e1vel, num determinado ano, s\u00e3o dedut\u00edveis nos anos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ainda que n\u00e3o sejam registadas, anualmente, as imparidades com base nestes prazos, estas ser\u00e3o sempre aceites a 100% quando ultrapassem os 24 meses da mora, pelo que a necessidade de um registo contabil\u00edstico com base na evolu\u00e7\u00e3o anual destes prazos, que n\u00e3o \u00e9 exig\u00eancia do C\u00f3digo \u00e9, no m\u00ednimo, uma distor\u00e7\u00e3o do resultado econ\u00f3mico do per\u00edodo, com destino a diversos utentes interessados, em benef\u00edcio de uma \u00fanica entidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"1\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a712 da Estrutura Conceptual (EC) aprovada pelo Aviso n.\u00ba 8254\/2015, de 29 de julho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"2\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a715 da EC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"3\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a752 da EC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"4\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a7 92 da EC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"5\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a7 5 da NCRF 27, aprovada pelo Aviso n.\u00ba 8256\/2015, de 29 de julho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"6\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a7 10 da NCRF 27<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"7\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a716 da NCRF 27<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"8\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a717.3 do Aviso n.\u00ba 8255\/2015, de 29 de julho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"9\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a7 17.6 do Aviso n.\u00ba 8255\/2015, de 29 de julho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"10\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00a7 17.7 do Aviso n.\u00ba 8255\/2015, de 29 de julho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"11\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>&nbsp;Artigo 17.\u00ba do CIRC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"12\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>&nbsp;Artigo 28.\u00ba A, n.\u00ba 1, al\u00ednea a) do CIRC&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"13\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>&nbsp;Artigo 28.\u00ba B, n.\u00ba 1 do CIRC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"14\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>&nbsp;Artigo 28.\u00ba B, n.\u00ba 3 do CIRC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\" id=\"15\"><a href=\"applewebdata:\/\/1F6C4888-8757-4435-B037-1973B5A8AA6D#_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>&nbsp;Artigo 28.\u00ba B, n.\u00ba 2 do CIRC<\/p>\n\n\n<div class=\"single-cta\">\n\t<div class=\"single-cta__positioner\">\n\t\t<div class=\"single-cta__wrapper has-dark-background-color\">\n\t\t\t<div class=\"single-cta__content\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<h2 class=\"single-cta__title h3\">Receba a newsletter Sage Advice<\/h2>\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"single-cta__description\">\n\t\t\t\t\t\t<p>Inscreva-se para receber o boletim do Sage\u00a0Advice e receba os conselhos mais recentes diretamente no seu e-mail.<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a\n\t\t\t\t\t\thref=\"#gate-56228f27-e58f-435b-9b72-a561d684e263\"\n\t\t\t\t\t\tclass=\"single-cta__button button button--primary\"\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t>Subscrever<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1215\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.sage.com\/pt-pt\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/15\/2023\/10\/GettyImages-1073868226-1215x810.jpg\" class=\"single-cta__image\" alt=\"Rapaz ao telefone no seu escrit\u00f3rio\" loading=\"lazy\" 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