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Literacia financeira: como está Portugal?

Dinheiro e Poupança

Literacia financeira: como está Portugal?

A literacia financeira é o conjunto de competências que permitem ao indivíduo – ou empresa – munir-se dos conhecimentos necessários para uma gestão eficaz do seu dinheiro e para a tomada de decisões informadas. É crucial para garantir uma estabilidade financeira a longo prazo e é um veículo primordial para, de uma forma geral, promover uma melhor qualidade de vida dos cidadãos.

Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer na literacia financeira. Sobretudo entre os particulares, as fragilidades são grandes. Os últimos dados disponíveis, de 2020, recolhidos pelo Banco Central Europeu (BCE), revelam que o nosso país ocupa a última posição do ranking de literacia financeira dos 19 países da zona euro. No topo do ‘ranking’ estão os alemães, os holandeses e os finlandeses, enquanto os portugueses, os cipriotas e os italianos ocupam os três últimos lugares. O BCE realizou inquéritos sobre literacia financeira nos vários países pertencentes à zona euro, relativamente a temas como a diversificação do risco, a inflação ou os juros compostos.

Mas desengane-se quem pense que, nomeadamente no que diz respeito à literacia financeira dos particulares, esta é uma realidade só de alguns países. A iliteracia financeira é ainda, infelizmente, um mal geral. E em vários países desenvolvidos, o nível médio de conhecimentos sobre temas financeiros desceu mesmo nos últimos anos.

Uma ‘radiografia’ menos negativa nas empresas

Já no que diz respeito às micro e pequenas empresas, a realidade é um pouco diferente. Num inquérito realizado à literacia financeira dos empresários – proprietários e gestores -, foram comparadas as realidades de catorze países da Rede Internacional de Educação Financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento na Europa (OCDE/INFE). De acordo com os resultados divulgados já em 2022, os proprietários e gestores empresariais portugueses lideram o ranking no que diz respeito ao indicador global de literacia financeira, nas empresas até nove trabalhadores. Já quanto às empresas entre 10 e 49 trabalhadores, Portugal fica em segundo lugar. Por outro lado, dentro do tecido empresarial português, verifica-se que a literacia financeira é tanto mais elevada quanto maior a dimensão das empresas em termos de volume de negócios.

A maioria dos inquiridos possui uma conta bancária para a sua empresa, que é gerida separadamente da do seu agregado familiar, o que é particularmente significativo se tivermos em conta que, em Portugal, o tecido empresarial é, em grande medida, composto por empresas familiares. Perto de dois terços conhece as linhas de crédito disponibilizadas pelo Estado e mais de um quarto recorre a este tipo de financiamento.

Já quanto à gestão e planeamento das finanças da empresa, mais de metade dos inquiridos contrata contabilistas e mais de um terço recorre a intermediários financeiros para apoiar na tomada de decisões financeiras.

A importância da literacia financeira

A literacia financeira está longe de ser apenas um instrumento importante para uma escolha mais informada por parte dos clientes bancários. É sobretudo um veículo para uma melhor gestão das finanças de cada agente económico– particular ou não -, afetando, tantas vezes, a tomada de decisões com implicações no longo prazo das famílias, como é o caso, por exemplo, da contratação de um crédito à habitação ou da escolha de um plano para a reforma. Não é por acaso que a iliteracia financeira é, infelizmente, um fator que contribui para o empobrecimento dos cidadãos.

Por outro lado, quanto mais sustentável for a gestão das nossas vidas financeiras, maior será a capacidade de gerir os embates e os momentos mais negativos. Perceber onde se está financeiramente, ter um orçamento equilibrado e poupar para as emergências é fundamental. Até porque os imprevistos, como temos visto, podem surgir a qualquer momento. Não foi assim há tanto tempo que a realidade nos mostrou a importância de estarmos informados e de sermos responsáveis financeiramente – enquanto particulares, empresas e Estado -, se nos lembrarmos do que foram os difíceis anos da crise financeira e da crise da dívida soberana. Seguiu-se a pandemia e agora uma nova crise, desencadeada pela invasão da Ucrânia e que está a fazer disparar a inflação por todo o mundo. 

Tomar boas decisões financeiras e fazer uma gestão eficaz de orçamentos e níveis de endividamento é um dos melhores seguros, quer para particulares, quer para empresas, contra os imprevistos que vão surgindo e a melhor garantia de um futuro financeiro mais risonho.