Tecnologia e Inovação

AI Act: que empresas devem formar os seus trabalhadores em IA e como fazê-lo

Saiba que empresas estão abrangidas pelo AI Act e como formar os trabalhadores para uma utilização da IA segura e responsável.

Pessoa sentada em frente a um computador portátil a conversar com outra pessoa numa mesa de um estabelecimento de restauração, com documentos e materiais de trabalho sobre a mesa.
Publicado em 8 minutos de leitura

O AI Act assinala quais as empresas que devem formar os seus colaboradores em IA, quando essa formação é obrigatória e como cumprir a regulamentação de forma prática.

O AI Act implica uma obrigação importante para a maioria das empresas europeias: garantir que as pessoas que utilizam sistemas de inteligência artificial possuem os conhecimentos necessários para o fazer de forma segura e responsável. Não exige uma certificação oficial, mas espera que seja possível demonstrar que foram adotadas medidas de literacia em IA.

Ideias chave

  • Esta obrigação aplica-se às empresas que desenvolvem ou trabalham com sistemas de IA na sua atividade.
  • A formação deve ser adaptada à função, aos riscos e à utilização efetiva que cada trabalhador faz da IA.
  • Programas como os da Academia de IA da Sage facilitam a capacitação das equipas.

A inteligência artificial já faz parte do trabalho quotidiano de milhares de empresas. Automatiza tarefas, agiliza processos, acelera decisões, mas também acrescenta riscos relacionados com a privacidade, os enviesamentos, a segurança ou a transparência. Por esse motivo, a União Europeia aprovou o AI Act (ou mais popularmente, Lei da Inteligência Artificial), que estabelece um quadro comum para uma utilização responsável.

Entre as novidades do regulamento, uma das menos conhecidas é a obrigação de formar as pessoas que utilizam ferramentas de IA. Mais concretamente, o artigo 4.º estabelece a “alfabetização” em inteligência artificial como uma responsabilidade das empresas. Nas secções seguintes explicamos a quem se aplica esta exigência, de que conhecimentos necessitam os trabalhadores e como implementar um plano de formação eficaz.

Índice do post

O que diz o AI Act sobre a formação em inteligência artificial?

O AI Act da UE exige que as empresas capacitem os trabalhadores que desenvolvem ou utilizam sistemas de IA, através de medidas e formação que garantam um nível suficiente de literacia na utilização desta nova tecnologia.

A obrigação, prevista no artigo 4.º do AI Act, estabelece que os fornecedores e os responsáveis pela implantação devem assegurar, «na medida do possível», que o seu pessoal dispõe de conhecimentos adequados sobre inteligência artificial. Na prática, isto significa que a formação terá de ser adaptada a diferentes fatores:

                              AspetoO que a empresa deve avaliar
                             Tipo de IAIA generativa, preditiva, automatização, assistentes, etc.
                   Função do trabalhadorUm utilizador ocasional não necessita da mesma formação que um administrador.
                              RiscosTratamento de dados pessoais, impacto nas decisões, segurança ou cumprimento da regulamentação.
                 Conhecimentos préviosA formação deve partir do nível real de conhecimentos da equipa.

Não existe, portanto, um único programa adequado a todas as organizações.

Que empresas devem formar os seus trabalhadores?

Sempre que uma empresa desenvolva, implemente ou utilize sistemas de inteligência artificial nos seus processos, deverá formar as pessoas que interagem com esses sistemas. Isto inclui:

•   Empresas que utilizam assistentes de IA para gerar conteúdos ou responder a questões.

•   Departamentos de Recursos Humanos que utilizam IA em processos de recrutamento, seleção ou avaliação.

•   Equipas financeiras que utilizam ferramentas inteligentes para previsões ou análises.

•   Organizações que dispõem de funcionalidades de IA nos seus sistemas ERP ou CRM.

•   Empresas que desenvolvem soluções de inteligência artificial para terceiros.

Por outras palavras, a obrigação não depende da dimensão da empresa, mas da utilização que esta faz da IA. É por isso que muitas empresas estão a incorporar programas de formação para os seus trabalhadores. Desta forma, reduzem riscos, melhoram a utilização destas ferramentas e aumentam a eficiência.

O que deve incluir uma formação em IA?

A literacia que o AI Act pretende promover vai muito além de aprender a escrever bons prompts. O objetivo é que os trabalhadores saibam como funciona e como se aplica a inteligência artificial, quais são as suas limitações e o que implica a sua utilização.

Assim, os conteúdos da formação abrangem várias áreas, nomeadamente:

•   Conceitos básicos sobre IA e aprendizagem automática.

•   Capacidades e limitações dos modelos generativos.

•   Proteção de dados e confidencialidade.

•   Identificação de enviesamentos e supervisão humana.

•   Utilização responsável e transparente da IA.

•   Boas práticas específicas para cada departamento.

Além disso, a formação não pode ser uma ação pontual. A constante evolução desta tecnologia exige uma atualização periódica dos conhecimentos.

O AI Act não exige uma certificação, mas exige que a empresa consiga demonstrar que adotou medidas destinadas a formar as pessoas que trabalham com inteligência artificial.

Como organizar um plano de formação para cumprir o AI Act

O regulamento não estabelece quantas horas deve durar a formação nem exige um formato específico. Cada empresa pode conceber o seu próprio plano, desde que este seja coerente com a utilização que faz da inteligência artificial e que seja possível demonstrar a sua implementação.

De qualquer modo, um processo simples pode ser estruturado em cinco etapas:

1. Identificar os sistemas de IA que a empresa utiliza ou irá utilizar.

2. Classificar os perfis profissionais que os utilizam habitualmente.

3. Definir os conhecimentos mínimos que devem ser adquiridos.

4. Ministrar a formação através de cursos, workshops ou outros programas.

5. Documentar as ações realizadas, conservando provas da participação e dos conteúdos ministrados.

Tal como acontece com os conhecimentos, é aconselhável rever periodicamente o plano de formação. A inteligência artificial evolui rapidamente e surgem continuamente novas utilizações, riscos e obrigações.

AI Act: qual é o papel dos responsáveis de Recursos Humanos e dos dirigentes?

Embora o AI Act da UE se aplique a todas as empresas abrangidas, os Recursos Humanos desempenham um papel fundamental. Em muitas organizações, será este departamento que coordenará a formação, identificará as necessidades de cada equipa e manterá o registo das ações realizadas.

Por sua vez, a direção deve promover uma cultura de utilização responsável da IA. A formação é mais eficaz quando está integrada numa estratégia global, e não apenas quando é encarada como uma obrigação legal.

Além disso, em função dos diferentes perfis, é necessário envolver os responsáveis pelas áreas de tecnologia, segurança da informação e conformidade. Os seus conhecimentos ajudam a adaptar os conteúdos aos riscos específicos de cada organização.

A formação em IA também melhora a competitividade

Cumprir o Regulamento da Inteligência Artificial, para além de responder a uma exigência legal, pode também representar uma vantagem operacional. Ter trabalhadores com formação adequada proporciona benefícios competitivos, tais como:

•   Melhor aproveitamento da IA.

•   Menos erros resultantes de utilizações inadequadas.

•   Menor risco jurídico.

•   Maior confiança por parte de clientes e parceiros.

•   Maior capacidade para implementar novas soluções.

A própria Comissão Europeia considera que a formação e o desenvolvimento de competências são fundamentais para reforçar a confiança na IA e consolidar a sua utilização nas empresas e nas administrações públicas.

Academia de IA da Sage: formação para todas as empresas

Para quem pretende começar ou aprofundar os seus conhecimentos, a Academia de IA da Sage disponibiliza programas de formação dirigidos a diferentes tipos de profissionais. Por exemplo, o curso de fundamentos de IA oferece uma base sólida para compreender o seu funcionamento, conhecer as suas oportunidades e utilizá-la de forma responsável em qualquer empresa.

Além disso, inclui conteúdos práticos para formular melhores instruções, reconhecer as tarefas em que a IA pode acrescentar valor e integrá-la nos processos habituais sem perder de vista o critério humano. Desta forma, as equipas podem ganhar confiança e preparar-se para utilizar estas ferramentas de forma mais segura e eficaz.

Os conteúdos da Academia de IA da Sage estão a ser disponibilizados na Sage University para os utilizadores com acesso à subscrição de formação Sage Learning Membership. Desta forma, podem consultar os diferentes conteúdos de aprendizagem, aprofundar os temas mais relevantes para a sua atividade profissional e desenvolver competências que apoiem a utilização prática e responsável da inteligência artificial no contexto empresarial.

O AI Act representa uma mudança de abordagem: utilizar inteligência artificial implica também desenvolver as competências necessárias para o fazer em segurança. As empresas que começarem desde já a formar as suas equipas estarão mais bem preparadas para cumprir o regulamento e aproveitar todo o potencial futuro desta tecnologia.

Aceda à Sage University e comece hoje mesmo a aprender.

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