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Gestão Financeira em tempos de pandemia

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Vivemos tempos de elevada incerteza a todos os níveis, com enorme impacto social e económico. Hoje, um empresário, um gestor e qualquer colaborador de uma empresa vive na angústia do que virá amanhã.

Os empresários portugueses dão mostras constantes de superação, através de uma elevada capacidade de adaptação e resiliência. Olhando para um contexto de incerteza exacerbado por uma pandemia cujo fim e impacto continuam imprevisíveis, as empresas, em especial as PME, por natureza menos robustas financeiramente, necessitam de especial atenção à importância da Gestão Financeira para garantir a sua sobrevivência, ou até crescer em tempos de crise, aproveitando oportunidades que o mercado disponibilize.

Desde março, as empresas têm vindo a adotar as medidas possíveis e permitidas para adiar as suas obrigações financeiras, nomeadamente:

  • Utilizando os mecanismos concedidos em termos fiscais e da segurança social, adiando os pagamentos;
  • Utilizando mecanismos de redução ou paralisação temporária dos tempos de trabalho (e.g. Layoff);
  • Recalendarizando os pagamentos dos seus financiamentos, utilizando as moratórias;
  • Adiando os pagamentos a fornecedores e acordando novos prazos de recebimento junto dos seus clientes;
  • Obtendo reforços de tesouraria através das linhas Covid-19.

Passada esta primeira fase da crise, e tendo as empresas iniciado a retoma produtiva/operacional, os comportamentos dos agentes económicos, institucionais e individuais, alteraram-se significativamente. São necessárias, assim, medidas adicionais para acomodar novas exigências financeiras.

Utilizando o nosso exemplo, a Yunit Consulting trabalha com mais de 600 PME de todos os setores de atividade. Sendo uma amostra muito relevante do tecido empresarial português, composto em especial por PME, temos observado que há um conjunto de iniciativas que se têm relevado mais eficazes para que a tomada de decisão seja atempada e decorra de melhor informação, nomeadamente:

  • Análises ao comportamento do setor em que a empresa se insere, comparando as estruturas de custos e rendimentos, as respostas à pandemia, e as dinâmicas de atuação no mercado;
  • Aumento da proximidade dos órgãos de administração, gestão e direção das entidades, para que a velocidade das decisões seja otimizada;
  • Reapreciação dos processos administrativos e financeiros, incluindo as ferramentas e capacidades tecnológicas instaladas, que facilitem uma maior capacidade de resposta;
  • Aferição da capacidade de angariação de novos capitais, próprios e alheios, não descurando a entrada no capital por entidades externas;
  • Revisão dos Orçamentos e do Plano de Tesouraria, orientando para que sejam ferramentas de curto prazo em constante atualização e controlo.

Negócios saudáveis e empresas capazes ficam altamente condicionadas pela falta de liquidez, que pode colocar em causa a própria continuidade da sociedade; as iniciativas elencadas permitem decisões mais qualificadas e apoiadas em análises robustas, facilitando ou permitindo:

  • Renegociar com a Banca dos financiamentos em curso;
  • Reprogramar os financiamentos associados ao PT2020;
  • Reduzir Custos Operacionais – FSE e/ou RH;
  • Encontrar as soluções mais eficazes de Factoring e Confirming (quer de clientes quer de fornecedores);
  • Angariar novos capitais, próprios e/ou alheios, em adição aos financiamentos bancários, através de investidores institucionais;
  • Fusões e aquisições de empresas do mesmo setor;
  • Soluções mais drásticas, como as medidas PEVE, RERE, PER, ou até processo de insolvência, mas de forma antecipada, com melhores condições para todos os stakeholders.

Pela nossa experiência, fica clara a importância das empresas se aproximarem a todos os stakeholders.

Uma nota especial diz respeito ao seu Capital Humano. Nunca foi tão importante incentivar o compromisso de todos os RH, exigindo responsabilidade individual na resposta à pandemia. Contudo, não menos importante, o compromisso dos RH na prossecução dos objetivos da empresa permitirá que esta faça o seu papel de criação de valor para a recuperação económica do país.

Um outro aspeto que temos verificado como relevante, prende-se com a forma como as empresas olham o mercado. As dinâmicas de concorrência alteraram-se radicalmente: além da seleção natural, isto é, do desaparecimento dos concorrentes menos estruturados, com balanços mais desequilibrados, ou compromissos que deixam de conseguir cumprir, gerando óbvias oportunidades, existem também mecanismos cada vez mais colaborativos.

Exemplificando, um concorrente pode também ser um parceiro, que garante as nossas encomendas em períodos em que a empresa se vê obrigada a parar a produção por insuficiência de pessoal – como acontece caso colaboradores estejam infetados com o vírus, ou tenham de ficar em quarentena. Esta dinâmica cria oportunidades de parcerias que não seriam prováveis até então. Olhar o mercado sob estas perspetivas aumenta a probabilidade de que o resultado seja mais favorável para todos.

O mercado encontra-se em mudança cada vez mais acelerada, pelo que é fundamental informação qualificada para suportar decisões atempadas. As empresas podem ainda encontrar formas mais colaborativas de estar no mercado, potenciadoras da criação de riqueza e da efetiva retoma e recuperação da economia nacional.

Em suma, além da necessidade de maximizar a obtenção de rendimentos, uma eficaz Gestão Financeira tornou-se absolutamente decisiva para que as empresas sobrevivam ao período em que vivemos.