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Uma vinha sustentável. Qual é o contributo da tecnologia?

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O desenvolvimento do setor vinícola tem estado na ordem do dia. A atual situação pandémica que ainda vivemos provocou um impacto negativo no turismo e, consequentemente, na hotelaria e na restauração, um dos principais canais de distribuição da produção do vinho.

Apesar da situação atual, os últimos dados comunicados no Fórum Anual Vinhos de Portugal, realizado em novembro de 2020, revelam que nos primeiros nove meses do ano, as exportações registaram um aumento de 3,8% em volume e de 2,4% em valor. As exportações para os países fora da União Europeia representaram um crescimento de mais de 20%. Dados positivos para o crescimento do setor.

A digitalização

A relação entre o consumidor e o produto tem agora várias interfaces: computador, tablets e telemóveis. É hoje, mais fácil, para o consumidor ter acesso a toda a oferta existente, conhecer as marcas produtoras e as estórias por trás de cada vinho. Hoje, a Internet dá mais poder aos consumidores. Tal como acontece com outras áreas (ex. gastronomia), a avaliação já não está delimitada aos designados como experts. A Internet democratizou a forma como se avalia e tornou cada um num potencial especialista que através de fóruns, blogs, apps, atribui a sua avaliação a cada vinho que consome. Algumas apps permitem-lhe inclusive, apontando o telemóvel para qualquer vinho que esteja numa prateleira de supermercado, saber tudo sobre a origem, preços e avaliação de outros apreciadores.

A digitalização mudou a forma como o consumidor escolhe e compra o vinho que quer consumir, trazendo grandes desafios aos seus produtores, no que ao posicionamento das suas marcas diz respeito. É preciso conhecer os seus clientes, onde compram, onde andam para que possa comunicar o seu produto.

Contudo, os desafios começam antes: na produção. Este subsetor da Indústria Alimentar e de Bebidas, tal como outros, enfrenta um dos grandes desafios – as novas tendências de consumo – orgânico, amigo do ambiente, saudável, entre outros. Os consumidores obrigam, desta forma, os produtores vinícolas a produzir vinhos “limpos e verdes”, a implementarem novos modos de cultivo biológico e orgânico, a criar novas embalagens mais ecológicas.
Reconhecendo estas novas tendências como fator de competitividade do setor vitivinícola, foi lançado em Portugal, o programa VITIS* (Apoio à Reestruturação e Reconversão das Vinhas), que tem como um dos destinatários de apoio, precisamente, as vinhas de produção biológica.

Uma vinha sustentável, ajustada às alterações climáticas

Em 2019, numa das conferências da OIV** (The International Organisation of Vine and Wine), o seu diretor Pau Roca colocava a tónica na questão ambiental, afirmando que a sustentabilidade como um novo valor para o crescimento: “Uma economia atenta a essa realidade está definitivamente no caminho certo. O crescimento será um indicador de transição, mas o objetivo deve ser preservar a biosfera; o objetivo da humanidade é preservar esse bem finito que é a terra, e que, como tal, é o único capital de referência.”

A tecnologia é uma aliada indiscutível para a criação de uma vinha sustentável, aumentando a sua capacidade e qualidade produtivas, poupando o ambiente. Estamos perante aquilo a que se chama agricultura de precisão onde cabem drones, robôs, câmaras de infravermelhos, leituras de NDVI (índice de vegetação por diferença normalizada), mapas de PCD (plan cell density), ou seja, um sistema alicerçado em novas tecnologias que controla e analisa toda a produção.

A utilização de drones para fazer os mapas de PCD (plan cell density) permite produzir a seguinte informação: padrões cromáticos das vinhas, percebendo, assim, os diferentes estados de vigor, de teor de azoto ou necessidade de água dentro de cada parcela. Desta forma, é possível planear de forma mais precisa o momento de vindima consoante o estado de maturação das videiras, sobretudo, quando estamos perante grandes áreas de hectares e cujos estados de maturação diferem entre as diferentes parcelas.

A tecnologia traz maior conhecimento sobre o funcionamento metabólico da videira, as variações induzidas pela sua diversidade genética natural, a biologia das pragas e pestes que a afetam, a modelização do funcionamento do clima, o conhecimento dos solos e do seu funcionamento, a modelização tridimensional das encostas, os contributos da biodiversidade e dos serviços de ecossistema, permitindo uma gestão eficiente dos recursos (combustível, consumíveis na vinha, água, etc.).

Indústria Alimentar

A Transformação Digital na Indústria Alimentar e das Bebidas – Estudo IDC

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O software e a produção e armazenamento da informação

Este conhecimento, produzido através da recolha de vasta informação por meio de sistemas de hardware colocados no terreno, traduz-se em grandes volumes de dados que exigem grande capacidade de armazenamento e integração com software, permitindo, dessa forma, a consulta e análise em tempo real, ajudando à tomada de decisões estratégicas.

Assim, é fácil de percebermos que o software utilizado deve responder às necessidades específicas de cada micro-setor de atividade, como é o caso do setor vinícola, contemplando a gestão integrada de todas as fases do processo de gestão: da plantação até à colheita, do embalamento à comercialização, da venda à cobrança. A automatização das operações, através do software, deve trazer igualmente importantes ganhos de eficiência, através:

  • Da rastreabilidade total dos produtos, desde o ponto de colheita até ao ponto de consumo, com recolha de detalhes sobre a colheita, parcela e exploração agrícola.
  • Da gestão de fórmulas de produção e receitas, potência, subprodutos, múltiplas unidades de acondicionamento, validades, lotes, entre outras especificidades.
  • Do controlo dos níveis de stock de forma multidimensional. Ex: por armazém, contentor, palete, ou tipo de embalagem.
  • Do registo, monitorização e controlo dos alergénios, reduzindo os riscos de contaminação cruzada.

A forma como se faz agricultura está a mudar. Algumas das tecnologias mencionadas anteriormente já são utilizadas por alguns produtores vinícolas nacionais. Já não se trata de uma opção: digitalização, sensores inteligentes, cloud, big data, IOT (Internet of Things), inteligência artificial, fazem parte de um caminho em progresso contínuo.

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Fontes:
*
Programa Vitis
**
OIV