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Lições e impacto do Plano Estratégico Made in China 2025

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Lições e impacto do Plano Estratégico Made in China 2025

Deixar de ser o país dos produtos baratos e da mão de obra a baixo custo, para passar a ser terra de engenheiros. Trocar a etiqueta de ‘Feito na China’ para ‘Inventado na China’. Foi este objetivo que levou Pequim a avançar com o plano ‘Made in China 2025’ e aí reside a grande diferença face a campanhas anteriores de Pequim de dinamização e promoção da indústria chinesa. Por isso mesmo, os efeitos ainda agora se começaram a fazer sentir.

O país quer apanhar o comboio da inovação que começou por perder, por exemplo, nos computadores ou nos telemóveis e estar na dianteira em dossiers como o da inteligência artificial. Por um lado, porque tal significa tomar para si parte desta nova fonte de riqueza. Por outro, porque na era atual dominar a inovação é fundamental para se ter uma voz no xadrez político mundial. Para tal, Pequim não está a olhar a meios, nomeadamente monetários.

Os grandes objetivos

Entre os objetivos do “Made in China 2025” está a redução da dependência de tecnologia estrangeira e a promoção de fabricantes chineses de alta tecnologia no mercado global, em setores como as tecnologias da informação, a aviação, a energia, o transporte ferroviário, os equipamentos médicos, a indústria automóvel, o controlo digital e a robótica. O que é certo é que em apenas três anos (entre 2015 e 2018), a China subiu doze lugares no Global Innovation Index, passando a ocupar o 17º lugar.

A Alemanha, a Coreia do Sul e Taiwan foram recentemente identificadas pela Bloomberg como as economias que mais podem ser afetadas pela investida chinesa, ainda que sejam os EUA a fazer o maior ruído. De facto, para a economia norte-americana o prometido fortalecimento do poder económico chinês pode ameaçar – e muito – os interesses de muitas empresas dos EUA que negoceiam com a China ou que estão mesmo instaladas naquele país. Mas tendo em conta que estamos a falar de um portento mundial, cuja população de mais de 1.3 biliões de pessoas deu um enorme salto em termos de capacidade de consumo, uma política como estas tem um impacto transversal e global.

Uma das questões que tem sido levantada a propósito deste plano de dinamização, modernização e reforço da competitividade da indústria chinesa são as várias medidas protecionistas que a ele têm estado associadas, como é o caso da atribuição de subsídios às empresas locais ou da imposição a investidores estrangeiros que se queiram instalar na China da obrigatoriedade de comprarem tecnologia local, ou seja, chinesa.

O impacto económico no resto do mundo

É de resto esse o argumento utilizado pelos EUA para contestar o ‘Made in China 2025’. A guerra comercial entre EUA e China tem sido uma constante, tendo subido de tom sobretudo desde que Donald Trump chegou à Casa Branca, cerca de um ano depois do anúncio por Pequim da sua nova estratégia económica.

Trump vê no plano chinês uma violação das regras de sã concorrência e uma ameaça à segurança no mundo ocidental e, em particular, nos EUA. Exemplo claro e conhecido das guerras entre os dois países que têm marcado os últimos tempos é o caso Huawei, com o presidente norte-americano a apelar ao boicote a fornecedores chineses nas telecomunicações, alegando que Pequim quer utilizar as ‘suas’ operadoras para aceder a informação privilegiada. Os mais céticos consideram que Trump exibe argumentos de segurança nacional para justificar uma guerra eminentemente comercial em que os EUA se veem ameaçados no seu poder económico.

Interesses económicos à parte, o regime político comunista que vigora na China não constitui, à partida, motivo de grande tranquilidade, ainda que Pequim vá refutando quaisquer suspeitas de utilização indevida de informação para finalidades menos explícitas. O país está longe de ser uma democracia e o Estado mantém a sua capacidade de controlo, quer através das suas empresas públicas quer de empresas alegadamente privadas, mas de uma forma ou de outra umbilicalmente ligadas ao regime de Pequim.

Seja como for, a verdade é que no mundo de hoje o poder de um país mede-se cada vez mais pela inovação tecnológica, e já não apenas por uma simples comparação do arsenal bélico. O astronómico fluxo de informação que circula hoje pelo mundo coloca desafios e riscos que estão longe de se cingir à China. Numa altura em que o populismo e o regresso de alguns movimentos políticos mais extremados são uma realidade, o mundo altamente tecnológico de hoje não pode deixar ninguém totalmente sossegado.