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5 Maneiras de Ter um Negócio Mais Sustentável – Parte I

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Poderá ter um negócio verde, mesmo sem se ter proposto a isso?

Talvez o seu ponto de venda único (USP) não esteja a reciclar os grãos de café excedentes como combustível. Talvez não tenha no mercado um produto tecnológico de emissão zero.

Talvez não tenha criado propositadamente um pequeno negócio para ajudar a salvar o mundo.

No entanto, independentemente do que venda, pode ser sempre mais sustentável – o que não apenas reforçará a sua consciência social, como também o seu fluxo de caixa.

O mercado está aí à sua disposição.

 

Chegar a consumidores que se preocupam com a sustentabilidade

De acordo com a empresa de consultoria Deloitte, 45% dos consumidores compraram mais bens produzidos localmente em 2021 e cerca de um em três alegou ter deixado de comprar certas marcas, devido a preocupações éticas ou de sustentabilidade relacionadas.

Acrescendo à evidência de que pequenas e genuinamente sustentáveis startups podiam arrancar uma larga fatia de negócio a marcas maiores e de operação mais opaca, a IBM reporta que 57% dos consumidores estão dispostos a mudar os seus hábitos de compra para ajudar a reduzir o impacto ambiental negativo.

Os negócios pequenos, ágeis, criativos e locais são perfeitos para atrair esse mercado crescente de consumidores verdes, que querem transparência da parte da sua loja ou serviço online.

Os consumidores conscientes querem gastar mais e comprar menos de vendedores que mostram estar a esforçar-se por ser mais verdes.

Não tem de ser perfeito.

Otimizando o que tem e tomando decisões mais responsáveis (mesmo a um micro-nível), não apenas ajudará o planeta, como a sua rentabilidade, apelando a uma base de clientela mais vasta.

Segue-se uma lista de sugestões exequíveis para negócios de poucos recursos e escasso tempo.

 

  1. Planear um sourcing sustentável

Os clientes querem prestar atenção aos valores dos seus fornecedores, bem como aos seus valores. Querem saber de onde provêm os produtos, como são feitos e por quem.

Pode sair mais barato comprar e importar frascos de plástico para o seu pequeno negócio de perfumes, a partir de um país em vias de desenvolvimento onde a mão-de-obra é barata, por exemplo, mas será que podia fazer um upcycle para frascos de vidro a partir de uma fábrica local?

Alguns tipos de pequenos negócios terão uma cadeia de abastecimento mais extensa do que outros.

Um exercício simples é olhar para os seus fornecedores, seja em número de um ou dois dígitos, e avaliar se os padrões de sustentabilidade de cada um deles correspondem aos seus.

Sonde as suas práticas e métodos – em que medida eles adicionam ao planeta, em lugar de extrair?

Classifique cada elo da sua cadeia de abastecimento em termos de consciência social, ética e ambiental, e considere aquilo que você está disposto ou não a comprometer no que se refere ao impacto ambiental de cada elo e ao modo como tratam os seus trabalhadores.

É importante ser realista e pesar a ambição contra as possibilidades financeiras.

Alguns fornecedores referir-se-ão mais à produção “limpa” em pequenas quantidades. Cabe-lhe a si decidir que indivíduos ou empresas abastecerão o seu negócio, pesando os “10 C’s”.

Pense nas mudanças que se pode permitir no curto prazo e no que terá de fazer para alcançar os seus objetivos de sustentabilidade de longo prazo.

 

Os 10 C’s

  1. Competência: O histórico de sucesso.
  2. Capacidade: O volume de encomendas que conseguem processar.
  3. Compromisso: O compromisso consigo e com os padrões de qualidade.
  4. Controlo: O controlo que têm sobre os seus próprios processos e a cadeia de abastecimento.
  5. Cash: A sua capacidade financeira, incluindo liquidez e fluxo de caixa positivo.
  6. Custo: Os seus preços comparados com os de fornecedores similares.
  7. Consistência: A sua capacidade de produzir os mesmos produtos e qualidade repetidamente.
  8. Cultura: Os seus valores essenciais.
  9. Cuidado: A sua preocupação com as pessoas e o ambiente.
  10. Comunicação: A sua qualidade e métodos de comunicação.

 

Em que pode ajudar um sourcing sustentável

  • Reforça a reputação da sua marca e alarga o mercado-alvo. Ao estabelecer padrões de sourcing e classificar os seus fornecedores pela sustentabilidade, fomentará a confiança e lealdade do cliente, o que poderá impulsionar os lucros.
  • Corta nos custos de operação, reduzindo o envio e transporte. Criar ligações locais e obter materiais reciclados reduzirá as suas despesas gerais.
  • Destaca-o da concorrência. Os clientes estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços alegadamente sustentáveis, mas precisam de prova disso. Assim, certifique-se de que o seu website e canais de redes sociais promovem o modo como se distingue da concorrência nesse aspeto.

 

 Exemplos de empresas com um bom desempenho de sourcing sustentável

A Fruta Feia procura alterar padrões de consumo, através da comercialização de forma igual todos os produtos hortofrutícolas com qualidade, independentemente do tamanho, cor e formato.

Assim, todas as semanas trabalham diretamente com os produtores da região, passando nas suas hortas e pomares para comprar as frutas e hortaliças pequenas, grandes ou disformes que estes não conseguem escoar. Com estes produtos preparam cestas de dois tamanhos distintos para vender aos consumidores associados à Cooperativa em pontos de entrega espalhados por todo o país.

Desta forma, a Fruta Feia contribui para a redução de toneladas de alimentos de qualidade que são devolvidos à terra todos os anos pelos agricultores e com isso evitar também o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção, como a água, as terras cultiváveis, a energia e o tempo de trabalho.

 

  1. Trabalhar no sentido de certificações ambientais – nacionais e internacionais

Há várias certificações ambientais disponíveis para as empresas, algumas até de cariz internacional. Assim sendo, destacamos as seguintes certificações:

  • Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS): O EMAS é um mecanismo voluntário criado pela Comissão Europeia, dirigido a todo o tipo de organizações que pretendem, desde logo, melhorar o seu desempenho ambiental e, no mesmo sentido, partilhar informação relevante ao público e entidades
  • Rótulo Ecológico (REUE): O Rótulo Ecológico da UE abrange produtos, cuja produção obedece a elevados critérios ambientais, constituindo-se num reforço da reputação para quem os produz e, consequentemente, um fator importante para a decisão de compra. Atualmente, já existem mais de 37 000 produtos vendidos no mercado europeu que possuem este rótulo.
  • Certificação ambiental ISO 14001: A certificação ISO 14001 é uma norma internacional que permite às empresas darem provas do seu compromisso para com a proteção do ambiente, reforçando assim, claramente, a sua imagem institucional em meio a um mercado cada vez mais verde. Os principais benefícios desta certificação são: a demonstração do seu compromisso ambiental, a melhoria da sua performance e um aumento da reputação da sua empresa.
  • Rainforest Alliance Certified: Trata-se de uma certificação válida para produtos agrícolas, da fruta aos chás ou aos legumes, e comprova que os produtores respeitam tanto a biodiversidade como os trabalhadores rurais envolvidos no processo. Este selo promove a responsabilidade ambiental, a igualdade social e a viabilidade económica para as comunidades agrícolas.
  • FSC (Forest Stewardship Council): O FSC procura garantir a proteção das florestas, sendo uma certificação ambiental atribuída a produtos provenientes de florestas certificadas, atentando à sua origem correta e sustentável.
  • Carbon Trust Standard: Trata-se de uma certificação mais direcionada para a indústria, no âmbito do consumo de energia, emissão de CO2 e consumo de água. O objetivo passa por reduzir o impacto ambiental com processos mais eficientes, sendo uma certificação que conta já mais de mil organizações em todo o mundo.

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