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A chave para a sustentabilidade: Modelos de Negócio do Século XXI

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Mulher de negócios em fábrica com tablet

Na primeira parte deste artigo, fizemos uma análise aos modelos de negócios mais clássicos. Nesta segunda parte, vamos avaliar as constantes alterações económicas, sociais, demográficas, tecnológicas e compreender as mudanças que essas alterações estabelecem nos mercados e que vão influenciar os modelos de negócio do Século XXI.

Vivemos uma época de verdadeira transformação, por isso deve-se ter em atenção todas as mudanças que estamos a sentir, que vão ser um padrão nos próximos anos e adaptarmos os nossos modelos de negócio, atuais e futuros. Atualmente assistimos a mudanças:

  • de segmentação de pessoas para a inclusão da diversidade (somos todos normais);
  • da consciência digital para os nativos digitais;
  • do apelo às massas para o apelo as necessidades individuais;
  • da conectividade esporádica à híper-conectividade;
  • do pensamento centrado no produto para o pensamento centrado no cliente;
  • do crescimento estático e constante para a agilidade dinâmica num mundo complexo;
  • do conceito de propriedade para a utilização ou pay-as-you-go;
  • da valorização dos bens e serviços para a apreciação dos valores pessoais

Todas estas mudanças são fatores catalisadores para a aplicação e operacionalização de “novos” modelos de negócio na estratégia das organizações.

Modelos de Negócio do século XXI:

  1. Economia de Partilha
  2. Monetização de dados
  3. Crowdsourcing ou Co-Criação
  4. Economia Circular
  5. Personalização e customização
  6. “Servitization”
  7. Everything-as-a-Service (XaaS)
  8. Freemium Model
  9. Online-to-Offline (O2O)

Economia de Partilha: É um modelo que permite uma partilha de serviços por várias pessoas, reduzindo custos e aumentando a eficiência na utilização de recursos, podendo ser aplicada em situações como: partilha de automóveis (rideshare); babysiters; aluguer de bicicletas por individuais; wi-fi partilhada; acesso partilhado a aconselhamento profissional especializado.

Monetização de dados: A geração de dados é exponencial e prevê-se que atinja os 160 zettabytes em 2025. A agregação e relação de dados entre si irá permitir às empresas criarem produtos e serviços baseados em insights, tais como: manutenção preditiva em automóveis; serviços baseados na localização dos condutores; cuidados médicos personalizados; telemedicina; deteção e predição de fraude.

Crowdsourcing ou Co-Criação: Consiste em modelos que agregam várias pessoas em prol de um objetivo comum. A hiper-conectividade e a globalização são forças catalisadoras que aumentam a probabilidade de movimentos de crowdsourcing e co-criação. Espera-se que a china registe o maior valor em empréstimos, investimentos ou oportunidades de financiamento coletivos no final da década. Os modelos de crowdsourcing são aplicados a diversas áreas como: media, serviços, criação de conteúdos, software, organizações sem fins lucrativos entre outras.

Economia Circular: Passa pela criação de produtos e serviços que possam ser reutilizados, tem como base a eficiência e a partilha. A economia circular representa a oportunidade para tornar o planeta sustentável, reduzindo a quantidade de recursos utilizados através de uma mudança do individual para o coletivo. A reciclagem, a reutilização e o movimento zero waste são fatores a utilizar no mercado automóvel, construção, químico, energia e agricultura e certamente vêm ajudar na eficiência e a utilização sustentável dos recursos do planeta.

Personalização e customização: É um modelo e uma tendência baseada em atividades centradas no cliente onde a customização dos produtos vão de encontro das necessidades específicas de cada cliente por um valor adicional. A tecnologia, neste caso, será a condutora principal uma vez que diminuirá os tempos de produção para o desenvolvimento de produtos únicos. Esta personalização permite também que as empresas recolham dados dos seus clientes e possam criar produtos que sejam talhados às necessidades futuras dos seus clientes. Assistentes virtuais, software com opções personalizadas, social media feedback personalizado, roupa desenhada e disponibilizada à medida são alguns dos exemplos que podemos ver no nosso dia-a-dia e que vão fazer parte do novo normal na sociedade.

“Servitization”: É uma nova forma das indústrias comercializarem os seus produtos, utilizam-nos para vender o resultado do produto como um serviço. Ou seja, a Uber utiliza a sua plataforma para vender o serviço de mobilidade, a Netflix para vender a visualização de séries, empresas de automação alugam robots para a agricultura e é paga a sua utilização por hectare. É um modelo de Pay-as-you-Go que pode ser utilizado em qualquer indústria e mercado. Existe uma ligação da conta bancaria do cliente à entrega de um serviço por parte da entidade fornecedora.

Everything-as-a-Service (XaaS): Na sequência do “servitization”, da economia circular e de partilha, o XaaS é a transformação de um mundo baseado no produto para uma geração baseada no desenvolvimento e utilização de serviços. Onde podemos assistir a utilização de plataformas digitais como um serviço, de monitorização de pessoas, terras ou outros recursos como um serviço, ao transporte como um serviço, à energia, ou seja tudo pode e será oferecido como um serviço.

Modelos Freemium: Já existem, são uma tendência e vieram para ficar, têm como objetivo oferecer gratuitamente funcionalidades/serviços básicos ao utilizador e cobrar os serviços premium adicionais. Já são utilizadas nas mais diversas áreas empresas como: NY Times, Forbes, o Linkedin, a Dropbox, a Spotify. É também muito utilizado nas apps com publicidade, gerando retorno pela publicidade e se o utilizador não desejar publicidade paga um serviço adicional. Este modelo permite ao utilizador aceder ao conteúdo, testar funcionalidades premium e se tiverem interesse adquirem a um valor adicional.

Online-to-Offline: A digitalização e a hiper-conectividade são fatores de dinamização que permitem aos clientes utilizarem plataformas on-line para que posteriormente possam utilizar serviços ou produtos offline e desconectados da rede. Opções como comprar on-line e recolher os produtos offline no local mais próximo.

Novas gerações estão a nascer, novas formas de pensar e atuar estão a emergir, os desafios globais gerados pela tecnologia, mobilidade, aumento da população mundial e ambiente conduzem a que novos modelos de negócio e a novas formas de competir. Cada um destes modelos tem prós e contras, faz parte da nossa capacidade enquanto gestores e empreendedores utilizar o modelo adequado ao contexto em que estamos inseridos. Não existe o modelo perfeito, não existe a situação perfeita, existem alternativas para a cada e devem ser adaptadas e é a adaptação que nos permite evoluir e chegar mais longe.

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