Inscreva-se

Inscreva-se

Economia Digital: a digitalização sustentável

Back to search results

A situação provocada pela covid-19 pôs em evidência o estado da economia digital – mas também as suas fragilidades. No 34.º Encontro da Economia Digital e das Telecomunicações, organizado pela AMETIC (Associação Multissetorial de Empresas de Tecnologias da Informação, Comunicações e Eletrónica), responsáveis públicos e empresas debateram um futuro que passa pela digitalização. E mais: defenderam que essa transformação deve ser feita de forma sustentável.

A importância da economia digital

Pedro Mier, presidente da AMETIC, recordou durante o encontro que é necessária “uma estratégia para a digitalização da economia. Uma digitalização que respeite o planeta, que seja inclusiva, que gere emprego de qualidade e que permita desenvolver a indústria.”

Por isso, e além de exigir políticas que favoreçam o desenvolvimento empresarial com um bom uso dos recursos de que dispomos, Pedro Mier enfatizou, no seu discurso, que é necessária “a cumplicidade, o apoio e a confiança dos governos e administrações” para que a execução deste projeto nacional seja um êxito.

Já Nadia Calviño, ministra da economia espanhola, assegurou que procura superar algumas destas lacunas que se tornaram tão evidentes durante a pandemia e garantiu que constitui “um bom enquadramento” para todo o trabalho que se venha a desenvolver na economia digital.

Nadia Calviño sublinhou que a digitalização representa “um grande desafio”. A ministra recordou que não se trata unicamente de incorporar novas ferramentas tecnológicas, mas sim de toda uma “mudança organizacional para aumentar a produtividade”.

A terceira vice-presidente do governo também explicou que a digitalização é a primeira das quatro vias de transformação que o país deve executar após a crise. “A digitalização é a principal alavanca para aumentar a produtividade da nossa economia e para crescermos no futuro», justificou a ministra.

Da tempestade perfeita à oportunidade

Na celebração deste encontro, participaram diversos responsáveis, tanto de empresas privadas como de administrações públicas. Debateram as diferentes propostas e medidas para reativar a economia, para que seja cada vez mais uma economia digital e sustentável, com especial destaque para as PME.

Um dos primeiros gestores a fazê-lo foi o presidente da Sage Ibéria, Luís Pardo. Depois de recordar que estamos num momento muito difícil e complexo, porque temos de somar os desafios económicos à crise sanitária que temos pela frente, Luís Pardo levou mais além as palavras da ministra Nadia Calviño.

“A digitalização não é uma alavanca, é A alavanca”, explicou, “porque, também na educação, devemos ter reservas de conhecimento. A digitalização está na educação, na inovação, nas administrações públicas… Onde não há digitalização? 22% de todo o PIB mundial está digitalizado e tem um crescimento de dois dígitos”.

Para Luis Pardo, Espanha é um país “em que custa criar emprego e é destruído muito rapidamente” e, por isso, concorda que “todas as entidades civis” deveriam entrar em acordo e elaborar “uma estratégia nacional mais forte”.

Na sua opinião, Espanha atravessa uma tempestade perfeita: uma profunda crise, empresas muito pequenas e falta de talento. Mas a mensagem é positiva: “temos a oportunidade de aproveitar esta situação para mudar as coisas. Não se trata apenas de salvar empregos, mas também as empresas. O governo deve apoiar o tecido empresarial. As PME representam 62% do PIB e 66% do emprego. Se não nos focarmos nisso agora, quando nos focaremos?”, perguntou.

“Digitivação”: a reativação digital

Segundo um inquérito realizado pela Sage, 50% das PME dizem que não querem aumentar o investimento em teletrabalho ou em tecnologias depois da pandemia. Contudo, ao mesmo tempo, 6 em cada 10 têm como prioridade a digitalização e “tecnificação” do seu negócio. Algo que, para Luis Pardo, evidencia não só que há uma lacuna na área, mas também que é necessário ampliar o investimento em investigação, desenvolvimento e inovação para passar de 1,2%, em Espanha, para os 2% da média europeia.

Luis Pardo também recordou que a receita para sofrer menos com as crises é clara: economia digital. Por isso, anima-se em apostar em novos modelos de negócio para não ficarmos no passado. “Existem novas oportunidades em cima da mesa”, sublinha, afirmando que “todo o talento pode trabalhar nesta revolução”.

Luis Pardo defendeu, no fórum da AMETIC, o seu conceito de digitivação; ou seja, a reativação através da digitalização. “Com cada ponto do PIB investido em investigação, desenvolvimento e inovação, ganharemos 2 na economia, o que significa emprego, progresso e futuro”, assegura.

“Não devemos pensar apenas neste momento de crise, mas também no futuro, para que as sociedades vindouras tenham futuro. Temos a oportunidade de elevar o país a outro nível, com formação e novas tecnologias, para alterar os modelos de negócio, tamanhos de empresa, e criar mais flexibilidade”, rematou Luis Pardo.