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A logística no novo mundo à distância: como vai ser 2021

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A pandemia veio colocar uma pressão acrescida sobre a logística, face à necessidade de responder a um aumento exponencial do comércio eletrónico. Tal como se tem verificado noutros segmentos, também nesta área é plausível que se tenha apenas acelerado um processo de transformação, melhoria e modernização que mais tarde ou mais cedo seria necessário.

Há grandes alterações a acontecer nos modelos de negócio e nas estratégias de vendas das empresas. Nesse sentido, a logística tem tido que responder a uma procura por compras à distância sem precedentes. Para as marcas e para os retalhistas, para quem é fundamental que os clientes tenham uma boa experiência de compra, uma eficiente gestão logística é crucial. O abastecimento de produtos quer-se flexível e atempado e a entrega das encomendas célere e sem incidentes.

Entretanto, e depois do confinamento de março e abril do ano passado, 2021 arranca com novas medidas de restrição à circulação dos cidadãos, o que voltará a colocar uma pressão adicional sobre a logística.

O que esperar então nesta área para 2021?

Investimento tecnológico aliado a recursos humanos de excelência

Com o crescente peso do e-commerce, não é só o front office que tem de responder às novas exigências. A estrutura de logística também tem de se modernizar cada vez mais e acompanhar o processo de passagem para o digital para que depois não existam entropias. E tão pouco divergências entre aquilo que é a qualidade do serviço prestado ao cliente no momento da comercialização e o que é depois a experiência deste até que o produto lhe chegue às mãos.

Desta forma, toda a cultura organizacional deve seguir uma mesma filosofia de trabalho e, pese embora a aposta no digital, os recursos humanos continuam a ser indispensáveis. Para que o investimento em tecnologia traga retornos para a empresa, é imprescindível que existam quadros qualificados para tirar partido das novas ferramentas. E para garantir que o processo de modernização segue uma estratégia e um propósito e funciona, de facto, na prática.

Usar a automatização para combater o erro humano

A aposta nas novas tecnologias deve ter por base uma boa estrutura de recursos humanos, como vimos. Mas deve tirar partido dos benefícios que a automatização de processos traz na redução de custos, ganho de eficiência e proteção contra o inevitável erro humano.

Abandonar processos manuais supérfluos, sobretudo numa área como a da logística, pode trazer garantias acrescidas de que a cada cliente chega exatamente o que foi adquirido, nas condições e nos termos acordados. Por outro lado, torna mais fácil a possibilidade de se ter uma visão transversal e completa de todo o processo de logística e de transporte. Com esta perspetiva global e em tempo real, é mais fácil o ajuste e correção de situações irregulares.

Maior agilidade e eficiência nas entregas

Com o forte crescimento do e-commerce, aumenta o desenvolvimento ou melhoria de competências logísticas. Até porque os clientes acompanham cada vez mais todo o processo desde a aquisição do produto até à chegada ao destino final. Esta maior exposição aumenta a pressão sobre a qualidade do transporte e logística dos produtos.

Tem havido uma aposta crescente em modelos de venda como o ‘drop shipping’, em que o revendedor não tem produtos em stock. Estes estão no fornecedor, sendo o papel do revendedor apenas o de oferta e comercialização dos mesmos. Ou o ‘direct-to-consumer’ que, como a expressão indica, implica a venda direta de produtos por parte das marcas, sem intermediários. Qualquer que seja o caso, o trabalho de logística feito desde o momento em que as mercadorias saem dos centros de distribuição para o consumidor final, particular ou empresarial (etapa ‘Last Mile’), assumiu grande importância, obrigando ao desenvolvimento de processos cada vez mais sofisticados.

Estratégias omnicanal

Com a diversificação de canais de venda e um crescente peso do digital, cada vez mais as empresas irão pensar as suas estratégias de distribuição como algo integrado.

Para o cliente, o que lhe interessa é ter uma boa experiência de compra, seja qual for o canal utilizado para o efeito. Nesse sentido, ele próprio pode ser levado a visualizar os diferentes canais disponíveis também de uma forma integrada.

Esta política de funcionamento, que se opõe à segmentação de canais, pode ser mais exigente em termos de gestão logística e coordenação de operações, mas traz vantagens quanto à rentabilização de estruturas e redução de custos, nomeadamente de transporte.

Uma logística sustentável

Sabemos que os clientes são cada vez mais exigentes quanto aos valores e ética na gestão empresarial. Num segmento como o da logística, as questões da sustentabilidade e da minimização da pegada ecológica assumem particular relevo.

Tal aplica-se, nomeadamente, ao processo que medeia o momento entre a compra e a chegada do produto ao consumidor final. Desde a forma como as encomendas são transportadas, ao tempo e distância percorridos passando pelos materiais das embalagens, tudo conta na hora de fidelizar clientes.

Crescimento do transporte a temperaturas controladas

A necessidade de distribuir as vacinas contra a Covid-19 que começam a sair dos laboratórios, e que vai atingir enormes volumes em 2021, obriga a um controlo ‘à prova de bala’ da temperatura a que as mesmas são transportadas.

Este crescimento do ‘cold chain’ – cadeia de fornecimento de produtos a temperatura controlada – e do seu nível de sofisticação não se deverá ficar pelas vacinas. Espera-se que possa impulsionar a evolução deste tipo de transporte na distribuição de químicos, medicamentos e alimentos.