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Como calcular a fórmula da produtividade global da sua PME

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A produtividade global é mais uma face de um imenso poliedro. A sua observação mostra-nos uma perspetiva diferente de qualquer outra conceção de produtividade. Todas juntas oferecem-nos detalhes complementares que nos aproximam de um melhor entendimento da empresa.

No entanto, trata-se de um conceito que é preciso saber gerir. É muito importante não só aprender a calculá-la, mas também entender a sua interpretação e limitações.

O que pretendemos medir com a produtividade global

O objetivo é relacionar a produção alcançada com os esforços realizados através da utilização de recursos. Isso seria muito simples se apenas utilizássemos um recurso. Teríamos que dividir a produção pelas unidades utilizadas do recurso. Se, por exemplo, falamos do trabalho diríamos X unidades de produto por cada hora de trabalho empregue.

O problema é que, na realidade, a maioria das empresas emprega múltiplos recursos (materiais, intangíveis, humanos, energia, etc.). Além disso, dentro de cada categoria há certas variações. Por exemplo, utilizamos o trabalho, mas há diferentes profissões. Não podemos apenas somar o tempo destinado a todas elas, muitas vezes realizadas por trabalhadores com características muito diferentes.

Sem mais quantidades físicas de produtos ou de recursos que não são homogéneas não podemos somar, devemos traduzi-lo em unidades monetárias.

Por outro lado, se utilizarmos, por exemplo, seis trabalhadores e duas máquinas, também não podemos dizer que utilizámos oito recursos. Estaríamos a somar quantidades que não são homogéneas.

A solução para este problema passa pela utilização de valores monetários em vez de unidades físicas. Se multiplicarmos a magnitude do recurso pelo seu preço obteremos um valor em unidades monetárias (euros, milhões de euros, dólares, cêntimos ou o que for).

Desta forma, poderemos somar o valor de diferentes recursos utilizados. Ao mesmo tempo, a produção obtida pode ser avaliada não em unidades físicas, mas em unidades monetárias.

A fórmula da produtividade global

A fórmula seria a seguinte:

Produtividade global= Valor dos produtos / Valor dos recursos

Nesta, cada um destes dois valores é um somatório do número de unidades físicas (de produto obtido e de recurso empregue) multiplicado cada unidade física pelo seu preço.

A produtividade global é o quociente de dois somatórios de valores monetários (o da produção alcançada e o dos recursos empregues).

Um exemplo de cálculo

Imaginemos, por exemplo, que temos uma pastelaria que faz três tipos de bolos A, B e C com as seguintes condições:

  • O preço do bolo A é de 1 euro a unidade, o bolo B vale 2 euros a unidade e o bolo C vale 3 euros a unidade.
  • Ao fim de um mês, foram produzidas 1.300 unidades de bolos A, 1.200 de bolos B e 1.100 de bolos C.
  • Para produzi-los foram necessários 3 trabalhadores que custaram 1.500 euros cada um.
  • Foram também necessários 2.500 kg de farinha que custaram 0,32 euros por quilo.
  • Supomos, para simplificar, que não foram utilizados mais recursos.

Valor da produção=1*1300+2*1200+3*1100=1300+2400+3300=7000

Valor dos recursos empregues=3*1600+0,32*2500=4800+800=5600

Produtividade global=7000/5600=1,25

Neste artigo, vamos dizer-lhe o que é a fórmula da produtividade global e como aplicá-la na sua PME.

A complexidade da empresa real

No nosso exemplo mais simples, partimos do princípio de que, para produzir três tipos de bolos, basta utilizar farinha e trabalhadores. Assim, simplificamos muito o conceito para captar a ideia de como efetuar o cálculo

Ora, na realidade, teríamos certamente precisado de muitos tipos de recursos. Certamente, a receita dos bolos teria exigido vários ingredientes a serem comprados. Também precisamos de máquinas, fornos, instalações, energia, água, produtos de limpeza, embalagens… Poderíamos continuar até uma infinidade de recursos.

No mundo real, é difícil categorizar todos os recursos utilizados por uma empresa para produzir.

Além disso, é preciso acrescentar um conjunto de elementos intangíveis. Alguns deles não têm a qualidade de ativo contabilístico, por exemplo, por não satisfazerem a definição de ativo, os critérios de registo ou reconhecimento ou os requisitos de identificabilidade.

Por exemplo, é possível que para produzir seja necessária uma clientela fiel, um know-how dos empregados, uma organização, etc. Uma vez que pretendemos captar um conceito global é muito importante incluir todos os recursos.

Como utilizar a produtividade global

Dada a complexidade que envolve o seu cálculo, devemos ser prudentes na sua utilização como indicador sintético. É muito difícil resumir a evolução da eficiência empresarial num número através da produtividade global.

No entanto, no processo de cálculo e comparação entre exercícios e com outras empresas, podemos retirar conclusões. Em cada complexidade do seu cálculo, vamos obtendo algumas lições.

Muitas vezes vamos adquirir mais conhecimento sobre a empresa durante o processo de cálculo do que na própria obtenção do resultado. Por exemplo, podemos aproveitar para analisar aspetos como os seguintes:

  • A importância relativa de alguns recursos em relação a outros e a forma como esta evolui ao longo do tempo.
  • Em que medida os preços dos recursos influenciam a sua utilização e as alterações nos processos.
  • De que forma os preços e as quantidades solicitadas pelos produtos influenciaram as quantidades empregues dos recursos. Não esqueçamos que cada produto tem o seu processo e exige esforços diferentes.
  • Qual o ritmo de utilização dos recursos que permanecem a longo prazo na empresa.

Portanto, calcular a produtividade global e acompanhar a sua evolução é um exercício útil para a gestão empresarial.

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