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Empreendedorismo em tempos de pandemia

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Parece uma contradição mas não é. Tempos difíceis como aquele que estamos a viver são muitas vezes sinónimo de oportunidades. Oportunidades que não se vislumbravam antes ou que a atual pandemia, causada pelo coronavírus, veio precipitar. Ou seja, mudanças que, em circunstâncias normais, demorariam muito mais a chegar.

Dois exemplos vêm de imediato à cabeça e têm sido, de resto, referidos por vários especialistas. Por um lado, o trabalho à distância, que pode permitir desenvolver negócios de forma menos onerosa, em casos em que não é mandatório ter um espaço físico para o desenvolvimento da atividade em causa. Por outro, as plataformas online de negócios, prestação de serviços, o que for. A pandemia permitiu que, a um ritmo alucinante, se quebrassem resistências e desconfianças, despertando consciências para os benefícios do teletrabalho e para as vantagens da contratação de bens e serviços à distância, quer para os consumidores, quer para os próprios fornecedores dos mesmos.

Com estas e outras alterações na forma de consumir, trabalhar e comunicar, chegam oportunidades. E é, por isso, por demais evidente que é nas tecnologias que reside uma das grandes oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios que respondam a necessidades que surgiram e que, em muitos casos, não terminarão com o fim da pandemia. Nenhum de nós voltará a ser o mesmo, o que significa que o que valorizamos e a forma de estar no mundo mudou e essa transformação veio, em vários casos, para ficar.

Atender às potenciais oportunidades não significa fechar os olhos ao impensável momento que vivemos, onde a incerteza é abissal e o impacto no empobrecimento das economias incalculável ainda. Mas também é verdade que as pessoas continuam a ter necessidades por suprir, ainda que sejam diferentes. E se há necessidades, existem negócios para desenvolver.

Muitos são os que acreditam que, neste mundo onde não há bola de cristal que consiga prever como e para onde é que os mercados irão evoluir, os empreendedores serão mais importantes do que nunca no processo de recuperação das economias. Será preciso voltar a criar empregos e formas de geração de riqueza e os empreendedores, pela sua forma de estar mais aberta, inovadora e flexível levam vantagem sobre as indústrias mais tradicionais. São pessoas que conseguem navegar em situações complexas, que tendem a pensar de forma diferente e que se ‘alimentam’ da capacidade de criar respostas para as necessidades existentes.

Pode mesmo, quem sabe, ser este o momento em que uma ideia de negócio, outrora olhada com desconfiança e ceticismo, encontre abertura do outro lado para ser acolhida e avançar. De repente percebemos que o inimaginável pode acontecer, que nada é garantido e que aquilo que parecia impossível pode resultar. Ter todo um quadro de pessoal a trabalhar a partir de casa é, afinal, possível. Reinventar completamente um negócio também.

Ora, a pandemia levou a um acelerar a digitalização das empresas (de forma transversal a quase todos os setores da economia) e é aqui que residem muitas das oportunidades para os atuais e futuros empreendedores. Esta nova forma de viver e trabalhar mostrou, por exemplo, a existência de uma escassez de ferramentas digitais para permitir reuniões à distância, trabalho remoto e gestão de fluxos de trabalho. E, com o muito maior tráfego de internet, surgiu também a procura por melhores infraestruturas digitais, pelo desenvolvimento de novas formas de ‘cloud computing’ ou processamento digital, entre tantas outras necessidades novas.

Na saúde também tudo está a mudar, provando que a necessidade aguça o engenho e trazendo ao de cima um mundo de possibilidades e formas alternativas de tratar e acompanhar doentes. Também aqui há projetos – digitais ou nem tanto – por criar e desenvolver.

Nos setores mais vitimados por esta pandemia, como o turismo, será preciso inovar, desmaterializar, romper com velhos modelos de negócio, oferecer mais qualidade e encontrar novas formas de chegar aos clientes. Mais uma vez, há oportunidades aqui para o empreendedorismo.

Transversalmente a todos os setores da economia, será preciso reestruturar negócios tornando-os melhores, mais eficientes, sustentáveis e com propósito. Também aqui podem estar soluções e projetos para desenvolver.

Para fazer face a estas e outras necessidades, tanto nas atuais indústrias como em tantas outras que agora se vão inventar, os empreendedores são chamados a atuar, a criar valor e fazer o que sabem fazer melhor.

São inúmeros os especialistas que defendem que iniciar novos negócios é possível, mesmo neste cenário, podendo até ser o momento certo e único para alguns. Assim, é importante ser-se positivo mas sempre realista, pesando prós e contras e avaliando riscos corretamente. E também perceber de onde se parte, em que setor se quer apostar. Nos mercados mais afetados, os cuidados são redobrados. Naqueles que estão em contraciclo pode, por exemplo, ser muito mais fácil obter financiamento do que noutras alturas. É preciso estar atento aos canais de apoio ao empreendedorismo.

Como ocorre em todas as grandes crises, e nunca tanto quanto nesta, uma coisa é já possível dizer: o futuro não será um regresso aos tempos ‘pré-covid’. Há mudanças que vieram para ficar. É preciso agora tentar retirar deste novo mundo o melhor possível.